Até o momento estão trabalhando na mecânica clássica em que as velocidades dos corpos são muito menores que a velocidade da luz. Então o que acontece com as leis de conservação se a velocidade dos corpos forem próximas à velocidade da luz, como por exemplo a velocidade do elétron que corresponde a
da velocidade da luz ou estiverem em referenciais diferentes?
Para responder essa pergunta devemos avançar na relatividade especial de Einstein, na qual contém conceitos referentes a equação de transformação de Lorentz que podem ser encontradas no site Relatividade Restrita.
As leis da Física dever permanecer inalteradas sob qualquer transformação da equação de Lorentz, então é preciso generalizar as leis de Newton e a definição de momento linear para se adaptarem ao princípio da relatividade.
Iremos considerar
para a velocidade da luz,
para a velocidade da partícula e
para a velocidade do referencial. Temos que
e
, ou seja nenhuma velocidade será maior que a velocidade da luz.
Vamos considerar um modelo (sistema isolado) de duas partículas que colidem em um referencial
, no qual o momento linear é conservado. Temos então que o momento antes da colisão é igual ao momento depois da colisão.
Em um outro referencial
, no qual aplicamos a equação de transformação de Lorentz, o momento
não é conservado. Esse resultado viola um dos postulados de Einstein:
Considerando que a equação de transformação de Lorentz está correta, a definição de momento deverá ser reescrita em função da velocidade relativística e termos assim uma equação relativística para o momento de uma partícula de massa
que mantém o princípio da conservação.
![Rendered by QuickLaTeX.com \[ \vec{p}=\frac{m\vec{u}}{\sqrt{1-\frac{u^{2}}{c^{2}}}}; \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-7269b561db022b4b824bb2bb79393f2f_l3.png)
Quando
for menor que
temos que a razão
tende a zero e que o denominado se aproxima de
, fazendo com que o momento relativístico se aproxime do momento clássico.
Usando a equação de momento relativístico podemos reescrever a força como:
![]()
A equação preserva a conservação do momento linear quando
tanto na mecânica clássica quanto na relativística em que
tende a zero.
A seguir iremos fazer a demonstração da conservação do momento

![]()
Usando a fórmula para a transformação de Lorentz das velocidades


- Partícula
![Rendered by QuickLaTeX.com \[ {v_{ax}}^{antes}=\frac{{v_{x}}^{'}+v}{1+\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}};{v_{ax}}^{depois}=\frac{{v_{x}}^{'}+v}{1+\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}} \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-a03c34106178b4b66bf2e4a5ca2f52f2_l3.png)
- Partícula

![Rendered by QuickLaTeX.com \[ {v_{bx}}^{antes}=\frac{{-v_{x}}^{'}+v}{1-\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}};{v_{bx}}^{depois}=\frac{{-v_{x}}^{'}+v}{1-\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}} \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-bfc726b70ea99ff412a7c00ece4abc82_l3.png)
Analisando o eixo y temos:
- Partícula

![Rendered by QuickLaTeX.com \[ {v_{ay}}^{antes}=\frac{\sqrt{1-\beta ^{2}}{v_{y}}^{'}}{1+\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}};{v_{ay}}^{depois}=\frac{-\sqrt{1-\beta ^{2}}{v_{y}}^{'}}{1+\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}} \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-2e4a52dcb16f98b833417af59c5c4db5_l3.png)
- Partícula
![Rendered by QuickLaTeX.com \[ {v_{by}}^{antes}=\frac{-\sqrt{1-\beta ^{2}}{v_{y}}^{'}}{1-\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}};{v_{by}}^{depois}=\frac{\sqrt{1-\beta ^{2}}{v_{y}}^{'}}{1-\frac{{v_{x}}^{'}v}{c^{2}}} \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-534eed11b111098e4f7b7b57e1282678_l3.png)
Analisando o momento em cada eixo temos:
- eixo x
![]()
- eixo y
![]()
As equações acima mostram que o momento total não foi conservado, ou seja, não ocorre conservação de momento linear. Mas, pode – se mostrar que o momento total será uma quantidade conservada se definirmos o momento usando o fator de Lorentz:
![Rendered by QuickLaTeX.com \[ \vec{p}=\gamma m_{0}\vec {v}=\frac{m_{0}\vec{v}}{\sqrt{1-\frac{v^{2}}{c^{2}}}}; \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-350ed773f56a6869fef1cb1e18139f96_l3.png)
em que
é a massa da partícula no referencial em que se mantém em repouso.
A massa relativística pode ser determinada assim:
![Rendered by QuickLaTeX.com \[ m\vec {v}=\gamma m_{0}\vec {v}\rightarrow\ m=\frac{m_{0}}{\sqrt{1-\frac{v^{2}}{c^{2}}}} \]](https://leis-de-conservacao.propg.ufabc.edu.br/wp-content/ql-cache/quicklatex.com-4a118e03c4c1a63000d8d76d99a06c43_l3.png)






